segunda-feira, 25 de março de 2013

Capitão América: O Sentinela da Liberdade!






Capitão América em pintura de Dean White
sobre desenho original de Jack Kirby.

(Fonte: Comicvine)

Por Valdemar Morais





Nome Original: Captain America.
Criadores: Joe Simon e Jack Kirby.
Alter-egos: Steve Rogers, Capitão.
Amigos: Sharon Carter, Bucky, Falcão, Rick Jones, Homem de Ferro, Thor, Nick Fury, Viúva Negra.
Inimigos: Caveira Vermelha, Barão Zemo, Grande Mestre, H.I.D.R.A., Arnim Zola, Dr. Faustus, Ossos Cruzados, M.O.D.O.K., Batroc, Pecado, IMA.
Afiliações: Invasores, Vingadores.
Primeira Aparição: Captain America Comics nº 1 (1941)- Timely/Marvel Comics.








O franzino Steve Rogers cresceu durante a Grande Depressão, um período de angústia e incerteza para os Estados Unidos. Apesar de seus problemas físicos e financeiros, Rogers jamais se curvou ante as adversidades e lutou para sobreviver. Até que veio a Segunda Guerra Mundial. Como qualquer estadunidense, ele se preocupava com o que acontecia no front. Numa noite, foi se entreter assistindo aos filmes jornalísticos que mostravam o panorama do conflito e ficou penalizado pelas atrocidades que a máquina de guerra da Alemanha Nazista cometia. Rogers, temendo por seus compatriotas e pela própria manutenção da liberdade, saiu do cinema decidido a se alistar no Exército.

No entanto, a constituição física do rapaz era desprezível e ele acabou rejeitado. Sensibilizado pelo ímpeto de combate de Rogers, o General Chester Phillips o convidou a participar de um experimento supersecreto do governo estadunidense, a Operação Renascimento. O jovem recruta topou a proposta no ato. Steve então foi submetido a uma infusão de um composto elaborado pelo Dr. Abraham Erskine, o Soro do Supersoldado, e bombardeado com radiação de baixa intensidade. O experimento, apresentado sigilosamente diante de uma comissão de integrantes do governo dos Estados Unidos, foi um sucesso e Rogers ressurgiu com um corpo em condições físicas perfeitas e capacidades acima da média.

Ele deveria ter sido o primeiro de uma nova leva de supersoldados, mas acabou se tornando o único. Na plateia que assistia ao experimento, havia um espião nazista que assassinou o Dr. Erskine assim que percebeu que o soro era bem-sucedido. Rogers matou o espião atirando-o contra um gerador elétrico, mas a fórmula do supersoldado se perdeu para sempre, pois ela só era conhecida pelo Dr. Erskine.

Diante de suas capacidades únicas, Rogers foi submetido a extensos treinamentos, condicionando seu corpo e moldando sua personalidade, tornando-se um especialista em combate corpo-a-corpo, além de um exímio estrategista. Encarregado de representar o espírito de luta pela liberdade intrínseco aos Estados Unidos da América, ele ganhou um traje especial inspirado na bandeira estadunidense e um escudo indestrutível, sendo batizado de Capitão América.

No cenário europeu da guerra, Steve Rogers compareceu em todos os campos de batalha em que o Capitão América era necessário. Ferrenho perseguidor de Hitler e seus asseclas, o herói encontrou no Caveira Vermelha, um agente sanguinário sob ordens diretas do führer, seu mais ardiloso adversário.  No entanto, ele também enfrentou outros “símbolos” do Eixo que lhe faziam oposição, tais como o primeiro Barão Zemo e o Grande Mestre. Quando um adolescente chamado Bucky Barnes descobriu que Steve Rogers e o Capitão América eram a mesma pessoa, acabou aceito por sua coragem e ousadia como parceiro pelo herói. 

Tocha Humana, Centelha, 
Capitão América,
Bucky e Namor na capa de

Giant-Size Invaders nº 1 (1975)
Arte de Frank Robbins.
(Fonte: Comic Book Movie)


A dupla viveu diversas aventuras e também fez alianças com outros superseres que combateram as forças opressoras de Hitler, Mussolini e Hirohito, tais como Namor, o Príncipe Submarino, o Tocha Humana original e seu parceiro Centelha, Spitfire, Aarkus, o Visão e o herói inglês Union Jack. Juntos, eles forjaram a superequipe Os Invasores.  

No fim da Segunda Guerra, o Capitão América e Bucky encurralaram o Barão Zemo que, em vingança, lançou um avião recheado de explosivos na direção dos Estados Unidos. Na tentativa de impedir o sucesso do plano, os dois heróis subiram à bordo da aeronave, mas esta explodiu antes, matando Bucky. Ou pelo menos foi o que se pensou... O Capitão América sobreviveu, mas foi atirado pela detonação nas águas do Oceano Ártico onde, graças ao Soro do Supersoldado, permaneceu por anos em estado de animação suspensa, sem envelhecer um único dia.







Décadas depois, o herói foi resgatado de seu esquife de gelo pelos Vingadores, equipe de super-heróis que o acolheu e da qual o Capitão América se tornou o principal pilar e líder natural. No entanto, os Estados Unidos que ele encontrou não era o mesmo país de seu tempo, especialmente por causa de suas controversas atitudes políticas e sociais, o que levou Steve Rogers a reavaliar seu papel no mundo. Hoje, ele luta por ideais de liberdade e justiça onde quer que vá, independente de cores nacionais.

Durante seu retorno às atividades heroicas, o governo estadunidense pressionou Steve Rogers para que ele obedecesse estritamente à autoridade maior do país ou que abandonasse o manto do Capitão América. Ciente de seus direitos e contrário a essa influência sobre suas ações, Rogers entregou o uniforme e o escudo de Capitão América. Com o apoio de Tony Stark, alter-ego do Homem de Ferro, Steve confeccionou um traje similar ao seu antigo - mas preto, simbolizando seu luto com a atitude do governo de seu país- e um novo escudo, assumindo a identidade de Capitão para continuar como combatente do crime. Depois de um desastroso período em que a roupa e o escudo do Capitão América foram assumidos por um guerrilheiro de extrema direita, Steve retomou sua identidade original. 

Além dos Vingadores, o Capitão América encontrou novas parcerias nos dias atuais. O garoto Rick Jones – que assumiu por um tempo a identidade de Bucky-, o herói alado Falcão e a própria agência de segurança S.H.I.E.L.D. – liderada por seu velho companheiro de guerra Nick Fury- auxiliaram o Capitão em seus novos combates. Aliás, foi na S.H.I.E.L.D. que Steve Rogers conheceu Sharon Carter, a Agente 13, seu mais marcante par romântico. 

O Capitão América reencontra Bucky transformado
no Soldado Invernal.
 

Arte de Steve Epting
(Fonte: My Comic Shop)
Embora os nazistas tenham sido derrotados, em sua nova fase o Capitão América encontrou novos adversários naqueles que buscam ver suas visões políticas como hegemônicas à força, tais como o cientista Arnim Zola; o psiquiatra Dr. Faustus; as organizações criminosas H.I.D.R.A. e IMA; e o terrorista Ossos Cruzados e o mercenário Batroc, sem falar em sua nêmese, o Caveira Vermelha, que assim como ele sobreviveu às décadas e agora atua pela anarquia com sua filha Pecado.


Recentemente, o Capitão América reencontrou Bucky e descobriu que ele também sobrevivera à explosão do avião, mas que fora resgatado pelo governo soviético e transformado no frio assassino chamado Soldado Invernal. Libertado da lavagem cerebral, Bucky chegou a assumir o manto de Capitão América durante um período em que Steve Rogers foi dado como morto.




Graças ao Soro do Supersoldado e a seus intensos treinamentos, o Capitão América é dotado de uma condição física perfeita, tem resistência, força e reflexos ampliados; é um verdadeiro mestre em variadas artes marciais, tendo conhecimento sobre técnicas de artilharia, infantaria e estratégia. Sua arma padrão é um escudo circular feito de uma liga de vibranium e adamantium, capaz de rebater disparos de qualquer natureza, absorver fortes impactos e também ser lançado num efeito semelhante ao de um bumerangue. 


O famoso escudo do Capitão voa para nocautear os vilões. 
Arte de Steve McNiven para Captain America nº 1 (2011)
(Fonte: Comic Book Movie)



Fonte

  • Capitão América em Enciclopédia Marvel, Panini Comics (2007);
  • Dossiê Capitão América em Mundo dos Super-Heróis nº 17, Editora Europa (2009).

segunda-feira, 18 de março de 2013

Arcano: O Mal Em Busca da Imortalidade!







Arcano em pin-up de Steve Bissette
(Fonte: It's a Bit Of a Shame)

Por Valdemar Morais





Nome Original: Arcane.
Criadores: Len Wein e Berni Wrightson.
Alter-egos: Anton Arcane.
Amigos: Não-Homens, Homem-Remendado.
Afiliações: Inferno.
Primeira Aparição (ponta): Swamp Thing nº 1 (1972)- DC Comics.
Primeira Aparição (completa): Swamp Thing nº 2 (1972)- DC Comics.











Cientista e feiticeiro amador, Anton Arcane era um homem que sempre teve duas grandes obsessões: a conquista do poder supremo e a da vida eterna. Na jornada para obter essas dádivas, Arcane, oriundo de um país balcânico, se aliou aos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, utilizando a estrutura científica dos alemães para seu intento. Não obtendo êxito, ele se voltou para o ocultismo, no qual deu origem a criaturas abomináveis como os Não-Homens e o Homem-Remendado, a partir do cadáver de seu próprio irmão, Grigori.

O tempo passou e com seu corpo envelhecido e debilitado, na iminência da rejeitada morte, Arcane tomou conhecimento sobre um poderoso ser que vivia nas matas fechadas da Louisiana e viu no Monstro do Pântano uma chance de realizar suas ambições. Para isso, entrou em contato com a criatura e sabendo de sua então trágica condição, ofereceu devolver-lhe a vida como Alec Holland em troca de seu corpo vegetal para ele mesmo. O Monstro concordou e misticamente se viu novamente um homem de carne e osso. Porém, quando descobriu que Arcane tencionava usar suas novas habilidades para dominar o mundo, ele abruptamente reverteu a transformação. O efeito foi aparentemente fatal para Arcane.



Matt Cable, marido de Abby, se
revela possuído por Arcane na
capa de
Swamp Thing nº 31 (1984).
Arte de Steve Bissette
(Fonte: Terra Zero)




Mas ele retornaria, com o nome de Arcano, várias vezes a fim de lesar o responsável pelo fracasso de seu momento mais glorioso. Em suas aparições, graças às suas habilidades místicas, Arcano apareceu em diversas formas: a de um Não-Homem, uma criatura que lembrava um inseto e chegou até a tomar o corpo de Matthew Cable, então marido de sua sobrinha, Abby. Porém, num último confronto com o Monstro do Pântano, Arcano encontrou seu fim e foi direto para o inferno.












Lá, após severas torturas, Arcano foi considerado maligno o suficiente para se tornar um dos demônios menores sob o comando de Belzebu. Antes, o vilão tinha apenas seu intelecto e seus conhecimentos sobre magia para realizar seus planos, mas transformado num demônio, suas habilidades se tornaram ainda mais desafiadoras para o Monstro do Pântano. Arcano é capaz de comandar verdadeiros exércitos de insetos, animar cadáveres, possuir corpos, dominar mentes e criar ilusões aterrorizantes.

Arcano voltou como principal antagonista
do Monstro na nova série do personagem (2011).
Arte de Yanick Paquette

(Fonte: DC Wikia)


Fonte


De Volta Para o Passado!


Por Valdemar Morais



Conhecer as histórias em quadrinhos vai muito além de ficar por dentro dos principais personagens, artistas ou as tramas mais emblemáticas. Passa também por ter uma noção de como foi a evolução dessa arte, seus sucessos e fracassos, ápices e quedas. Obviamente que abranger mais de 100 anos de História das histórias em quadrinhos não é das tarefas mais simples, mas, a exemplo do chiste sobre Jack, O Estripador: vamos por partes.


Na trajetória do gênero super-herói, foram convencionados períodos históricos conhecidos como “eras”. Para abordar mais detalhadamente esse mais de um século de HQs, indo muito além dos heróis uniformizados, o Quadrante9 vai se dar o direito de expandir esses conceitos e estabelecer suas próprias “idades históricas”. Assim como na própria História, os intervalos de tempo são apenas para ajudar na didática, ou seja, não quer dizer que uma era tenha terminado exatamente onde acabou a outra. Paulatinamente, cada era será esmiuçada, trazendo episódios pitorescos, tristes, emocionantes e que certamente vão mostrar por que as histórias em quadrinhos são dignas de ser chamadas de arte.


Mas antes, é claro, é preciso conhecer que “eras” ou “idades” são essas. Ligue o seu DeLorean, marque a data desejada e embarque nessa viagem pelo tempo!



PRÉ-HISTÓRIA

Período: Das cavernas até 1896.
A Coluna de Trajano,
em Roma, foi terminada em 113.

(Fonte: Magerson Flickr)

A Pré-História dos quadrinhos se inicia com a própria civilização humana, que na busca de estabelecer narrativas e garantir seu acesso às gerações futuras, cunhou o método de unir imagens em sequência. De pinturas rupestres a painéis em alto e/ou baixo relevo em Roma e na Mesopotâmia, dos afrescos japoneses aos vitrais da Europa medieval, dos livros infantis ricamente ilustrados da Alemanha às charges políticas do Brasil imperial. O marco derradeiro dessa era é o surgimento da tira The Yellow Kid, nos Estados Unidos, sendo o primeiro exemplar de arte sequencial que utilizava balões para conter as falas dos personagens.



ERA DE PLATINA


Período: 1896-1938.


O Agente Secreto X-9 foi
criado por Dashiell Hammett e
Alex Raymond em 1934.

(Fonte: Davy Crockett's Almanack)

Nesse período, as tiras de jornal evoluem para revistas periódicas e álbuns, começando na maior parte das vezes com temáticas humorísticas para depois abranger outros gêneros. Surgem os primeiros exemplares da união – com características modernas- de texto e imagem na China (manhuas), Tchecoslováquia, França, Bélgica e Alemanha. Com a estreia de O Tico-Tico (1905), uma das primeiras revistas em quadrinhos que não era uma simples compilação de tiras de jornal, o Brasil foi precursor em relação a vários países. 






No período, Popeye (1929) estreou nas tiras antes de ir para o cinema, o Príncipe Valente (1934) explorou aventuras na época medieval, Flash Gordon (1934) viajava pelo universo e o Fantasma (1936) foi o primeiro combatente do crime a usar uma máscara. O fim dessa era foi o surgimento do Superman em Action Comics nº 1, e, por conseguinte, a gênese do gênero super-herói.



ERA DE OURO

Período: 1938-1955.
Edição número 7 de
World's Finest (1942), série que
juntava Batman e Superman

(Fonte: Aparo Fan)

Depois do sucesso de Superman, os super-heróis conquistam o mundo e as revistas em quadrinhos entram em escala industrial de tiragens e criatividade, com o surgimento de dezenas de personagens. Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os supercombatentes do crime adquirem conotação política enfrentando, além dos supervilões, as forças do Eixo do Mal. 

Mesmo em países sob a censura, como Itália e Espanha, os quadrinhos alcançam enorme popularidade. Esta era termina com o declínio dos super-heróis – com exceção de Batman e Superman-, o surgimento dos mangás no Japão do Pós-Guerra e instituição de um código de censura aos quadrinhos nos Estados Unidos.









ERA DE PRATA


Período: 1955-1970.


Astro Boy (1952), de Tezuka,
infelizmente continua inédito
no Brasil.

(Fonte: Wikipedia English)
Com o início da Guerra Fria e, por conseguinte, da era atômica, a ficção científica faz sucesso no período, provocando a estreia de novas produções e a reformulação das antigas. O mundo testemunha a estreia no Japão de Astro Boy (1952), do gênio Osamu Tezuka, faz viagens mirabolantes com O Eternauta (1957), dos argentinos Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano López e o Brasil corre na contramão do pudor com os catecismos eróticos de Carlos Zéfiro. Nos Estados Unidos, os super-heróis ganham um revival. Uniformizados como Flash (1955) e Lanterna Verde (1959) são reformulados e unidos a outros heróis na Liga da Justiça (1960). E Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko geram para o mundo os “problemáticos” heróis da Marvel Comics: Quarteto Fantástico (1961), Hulk (1962), Thor (1962), Vingadores (1963) e Homem-Aranha (1962). A era se conclui com a mudança de Jack Kirby para a National Comics (DC Comics) em 1971.









ERA DE BRONZE


Período: 1970-1985.
Métal Hurlant nº 6 (1975)
com arte de Moebius.
A edição traz na capa o Major Grubert,
herói de A Garagem Hermética.
( Fonte: Li-An)

Nessa era quem ditam as regras são as celeumas sociais que afligem o mundo: Guerra do Vietnã, dependência química, racismo, privação de liberdades individuais, feminismo. Nos Estados Unidos, os quadrinhos foram se libertando aos poucos das amarras de seu código de censura, enfocando dilemas reais em histórias que destacaram personagens como Batman, Lanterna Verde e Homem-Aranha. Ao mesmo tempo, o mundo onde os civilizados é que são os vilões garantiu o sucesso do personagem pulp Conan, o Bárbaro (1971), publicado pela Marvel, enquanto Harvey Pekar e Robert Crumb sacudiam o meio underground com American Splendor (1976), Fritz The Cat (1965) e Mr. Natural (1967). No Japão, surge o shojo, mangá voltado especialmente para as meninas. 







Na França, Moebius, Jean-Pierre Dionnet e Philippe Druillet fundam a antologia de terror e ficção científica Métal Hurlant (1974), que daria origem três anos mais tarde à famosa revista estadunidense Heavy Metal. A era se conclui com a maxissérie Crise Nas Infinitas Terras, que reescreveu os 50 anos de cronologia da DC Comics.




ERA DE FERRO

Período: 1985-2001.



Sucesso independente, as Tartarugas Ninja
estrearam em 1984, inspiradas nas HQs
violentas e problemáticas de
Demolidor e Novos Mutantes.

(Fonte: MTV Geek)
Dizem que os anos 1980 foram a “década perdida”. Se assim o foram, como na música, eles renderam um bocado nos quadrinhos. Em tempos de Neoliberalismo e ditaduras desmoronando pelo planeta, as HQs se viram povoadas de personagens agressivos, amorais e até em certo ponto, egoístas. Nos Estados Unidos, a Invasão Britânica revitaliza o terror e a fantasia em séries da DC Comics que desembocariam no selo de quadrinhos adultos Vertigo (1993) e Frank Miller (Batman: O Cavaleiro das Trevas) e Howard Chaykin (Black Kiss, American Flagg) exploram a tensão política, a violência e o sexo. Em 1992, surge a Image Comics e os quadrinhos estadunidenses sofrem com a crise causada pela Bolha Especulativa, gerada especialmente pela exploração da arte em detrimento do texto. No Japão, sexo e pancadaria viram mania com os gêneros Yuri e Yaoi e os shonens Dragon Ball (1984) e Cavaleiros do Zodíaco (1986). Na Itália, a Druuna (1985) de Paolo Eleuteri Serpieri seduz a Velha Bota e no Brasil, Angeli, Laerte e Glauco são Los Três Amigos, reforçando a tradição humorística nacional. 






Em 2000, a Conrad Editora comanda a invasão oficial dos mangás no Brasil e a Era de Ferro chega ao fim, mas esta, ao contrário das outras, tem dia, mês e ano de seu desfecho: 11 de setembro de 2001.



ERA MODERNA


Período: 2001 até os dias atuais.
Imagem promocional
da saga
Fight Terror (2002)
do Capitão América. 

Arte de John Cassaday.
(Fonte: My Comic Shop

A tragédia dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York muda o enfoque dos quadrinhos, especialmente os de super-herói e fantasia. O Capitão América deixou de se esmurrar com o Caveira Vermelha para caçar a Al Qaeda, os X-Men vestiram preto e se revelaram ao mundo abertamente, Warren Ellis fez os milhares de agentes da Frequência Global (2002) caçarem terroristas, ditadores e executivos inescrupulosos, enquanto Bill Willingham trouxe as Fábulas (2002) para a Nova York real. Num efeito que lembra a Era de Ouro, saem os supervilões com colantes coloridos para entrarem os sisudos e mil vezes cruéis vilões da vida real, na pele de terroristas, ditadores, serial killers e o próprio crime organizado. O Brasil reaquece sua produção com diversas adaptações de clássicos da literatura e os quadrinistas nacionais Mike Deodato e Ivan Reis alcançam o estrelato no mainstream estadunidense. São diversos os temas e os conceitos criados a cada trabalho em diversos países e ainda não há um consenso sobre qual será a marca desta era que –por enquanto- é chamada de Era Moderna.






Fonte

domingo, 17 de março de 2013

Arte de mil e uma faces: os formatos das HQs

Por Valdemar Morais



A cena não é muito comum, mas factível. A mãe, toda dedicada a presentear o filho fã de quadrinhos, adentra a comic shop em busca de um mimo inédito para o rebento. No entanto, o choque é inevitável: ela passa os olhos totalmente deslumbrada e assustada pela loja, pois nas prateleiras, não existem mais aquelas revistinhas de bancas, mas publicações incrivelmente variadas: altas, baixas, horizontais, verticais, finas, grossas, de bichinhos, de mocinhos, de vilões... Nauseada, ela aceita a ajuda de um atendente que pergunta: “Mas qual é o interesse dele? É charge, cartum, série regular, minissérie, maxissérie, graphic novel?”. A confusão está formada.

Tal como qualquer forma de arte, as HQs apresentam um número extenso de formas de se narrar uma história, de transmitir uma mensagem. Alguns desses formatos são mais populares e foram base para a evolução dos quadrinhos, tais como a charge e a tira. Já outros geram conflito: afinal, qual a diferença de uma minissérie pra uma maxissérie? E um encadernado pra uma graphic novel?

Hoje, a seção Quadrinho a Quadrinho vai trazer um pouco das características dos principais formatos dos quadrinhos: charge, cartum, tira, série regular, minissérie, maxissérie, graphic novel e webcomic. É só ler e depois não tem desculpa: se não ganhar o que pediu, pode reclamar!




CHARGE

Charge de Izânio sobre a popularidade do governador
do Piauí, Wilson Martins.

(Fonte: CidadeVerde.com)

As charges são desenhos menos complexos, com tom geralmente político e de contexto o mais recente possível. Elas assumem outros vieses (cultura ou esportes, por exemplo) dependendo do veículo ao qual estão publicados. Além disso, a história contida nesse formato deve ser contada no mínimo de quadros possíveis. São mais comuns em revistas e jornais, e os balões de fala são facultativos.










CARTUM

Cartum de Ivan Cabral. 18 de novembro de 2009.
(Fonte: Sorriso Pensante)

Possuindo as mesmas características que a charge, mas com a diferença de não possuir obrigatoriedade de estar atrelado com temas da atualidade, e também pelo fato de ser apenas um quadro (também chamado de painel), temos o cartum.














TIRA


Tira do dia 03 de abril de 2013 da série de tiras Malvados, de André Dahmer.
(Fonte: Folha de São Paulo)


Já a tira é um formato bastante parecido com os dois acima citados, com a diferença de a história ser contada sempre na horizontal, e no sentido ocidental de leitura (da esquerda pra direita). Embora famosa pelos personagens humorísticos, gêneros como aventura, mistério e espionagem já alcançaram o estrelato nesse formato. Pode se apresentar tanto com periodicidade diária como dominical, com os quadrinhos sendo em preto e branco e coloridos, respectivamente. Primeiro formato com as características dos quadrinhos modernos, a tira foi consagrada nos jornais e continua até hoje marcando presença, inclusive em revistas e na internet. Vários icônicos personagens conquistaram o mundo com as tiras, desde os clássicos Dick Tracy e Flash Gordon até os modernos Mafalda, Calvin e Haroldo e até o Homem-Aranha, que tem sua tira de jornal editada até hoje.




SÉRIE REGULAR


A série regular de Tex já passou dos 500 números
no Brasil e o caubói é sucesso absoluto no país
há mais de 40 anos.

(Fonte: Planeta Gibi
Passando agora para as narrativas mais extensas, temos as séries regulares, que nada mais são, como o próprio nome já sugere, histórias que possuem uma regularidade e uma periodicidade fixas (semanal, quinzenal, mensal ou bimestral).

Dentro desse formato, existem duas vertentes: as quase extintas séries com histórias autocontidas, ou seja, que mostram seu enredo iniciado e terminado numa mesma revista e as séries que iniciam uma história em um número e que só a terminam algumas edições depois, o que é denominado arco de histórias.

Muito colorida e detalhada, a série regular foi o formato que disseminou o gênero super-herói. No Brasil, é sinônimo de histórias em quadrinhos e se apresenta em duas denominações: formato americano (17 x 26 cm) e o famoso formatinho (13,5 x 19 cm).







MINISSÉRIE



Capa da edição nº 1 original
de
O Reino do Amanhã (1996),
minissérie da DC Comics em 4 edições.

(Fonte: DC Wikia)






As minisséries são narrativas publicadas em série, mas com um número finito e reduzido de edições. Giram em torno de uma trama principal que é desdobrada em duas ou até oito partes.























Capa clássica da maxissérie
Guerras Secretas (1984). A aventura
completa durou um ano.

(Fonte: Comic Book Movie)
MAXISSÉRIE






Já as maxisséries, também chamadas de macrosséries, apresentam as mesmas características das minisséries, exceto pelo número de edições. Uma obra é classificada como maxissérie quando sua publicação extrapola as oito partes.

















GRAPHIC NOVEL


Abordando anarquia, totalitarismo e distopia,
V de Vingança foi uma das brilhantes
graphic novels concebidas nos anos 1980.

(Fonte: Hero Chan)



Uma história em quadrinhos com temáticas mais profundas, reflexivas e com desenvolvimento mais detalhado é a matéria-prima das graphic novels, ou romances gráficos. Seja inédita – pensada como uma publicação desse naipe- ou compilação de uma minissérie ou maxissérie transformada em encadernado, as graphic novels são trabalhos que se destacam por apresentar uma estrutura mais elaborada. Geralmente, as graphic novels trazem problemáticas mais profundas e ousadas do que os quadrinhos tradicionais.















Encadernado da Panini Comics trazendo
as primeiras edições da série
100 Balas.
(Fonte: O Grito!)
ENCADERNADO 


O encadernado, conhecido nos Estados Unidos como trade paperback, como o nome diz, é uma publicação que compila histórias em quadrinhos, geralmente as que fizeram parte de uma minissérie, macrossérie ou arco de histórias em série regular. Na maioria das vezes, portanto, o encadernado é uma republicação em formato especial, trazendo um enredo com início, meio e fim. Os encadernados de origem franco-belga são comumente conhecidos como álbuns.
















WEBCOMIC

Protagonizada por uma visão bem-humorada de Deus,
Um Sábado Qualquer é uma das webcomics mais bem-
sucedidas da atualidade.

(Fonte: Um Sábado Qualquer)



Webcomic foi a denominação dada para os quadrinhos produzidos especialmente para a veiculação na internet. O conceito inclui tanto aquelas obras que são pensadas exclusivamente para essa plataforma quanto para quadrinhos concebidos da maneira tradicional que são digitalizados e disponibilizados na rede.  Graças ao espaço democrático que a Web representa, vários profissionais tem alcançado reconhecimento nesse formato.




STORYBOARD

Storyboard feito pelo brasileiro Rodolfo Damaggio para o filme
Capitão América: O Primeiro Vingador (2011).
(Fonte: The Round Tablet)

O storyboard nada mais é do que uma história em quadrinhos criada para organizar a montagem de cenas de um produto audiovisual, como filmes e animações. Hoje em dia, é utilizada em larga escala como uma ferramenta para dar noções sobre ritmo e eficácia da narrativa dessas produções. Há casos inclusive em que filmes baseados em histórias em quadrinhos usaram a própria publicação como storyboard.


Fonte