quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Soc! Tum! Bang! E a Linguagem das HQs

Por Valdemar Morais



O ato parece bem simples: olho no texto, olho na imagem, e assim se repete até a conclusão da história. Nos quadrinhos, a união de texto e imagem é um dos aspectos que torna esse meio de comunicação dono de características únicas. Somados a recursos estéticos e literários, esses dois elementos podem causar diversas emoções no público leitor, seja o riso, o choro ou o asco.

São os mesmos recursos que, em função do hábito da leitura, praticamente as pessoas comuns passam batido e acabam dando pouca ou nenhuma importância, o que, em relação aos fãs já calejados e aos criadores, é justamente o contrário. Durante sua evolução através dos anos, a arte sequencial, embora tenha seguido por caminhos naturalmente diversos em cada continente, moldou sua própria linguagem, com termos e ícones decerto convencionados.

Will Eisner (1917-2005), considerado o Papa dos Quadrinhos, corrobora esse ponto de vista em sua seminal obra, Quadrinhos e Arte Sequencial: “As histórias em quadrinhos comunicam numa ‘linguagem’ que se vale da experiência visual comum ao criador e ao público. Pode-se esperar dos leitores modernos uma compreensão fácil da mistura imagem-palavra e da tradicional decodificação do texto”.

Como em qualquer forma de comunicação, a linguagem das HQs é o canal para a transmissão da mensagem e é com o pleno entendimento dela que se evitam os chamados “ruídos” entre criadores e público, possibilitando a vivência completa das emoções que os escritores tencionam gerar nos fãs.

Conheça alguns dos termos da específica linguagem das HQs.




SPLASH PAGE
Exemplo de uma splash page com
quatro quadros. Arte de Neal Adams
para a revista
Detective Comics nº 404 (1970)
(Fonte: Diversions Of The Groovy Kind)

Atualmente, há quem diga que seja um quadro de página inteira. No entanto, a princípio, esse termo caracteriza a página que traz o início de fato da história, incluindo inclusive o título, a logo do personagem caso haja e os créditos. Comumente, a splash page tem no máximo dois quadros.

















ENQUADRAMENTO

Frank Miller usou à exaustão a
proximidade entre HQ e cinema nos
enquadramentos.
Arte de Miller para
Daredevil nº 172 (1981)
(Fonte: Dan Perez Films Tumblr)

Os quadros ou quadrinhos ganham profissionalmente a nomenclatura de enquadramento. Neste quesito, as HQs se assemelham demais ao cinema, pois o que acontece no quadro é justamente aquilo que se quer que o espectador, no caso o leitor, veja. A similaridade é visível inclusive nos roteiros dos escritores, que utilizam tomadas típicas do cinema como o close-up, o plano médio, plano aberto, entre outros, para esclarecer exatamente o que quer que o desenhista crie.




















A semelhança dos balões com uma espécie de fumaça
foi o que batizou a Nona Arte na Itália,
onde é conhecida como
fumetti. Arte de Galep para
Tex nº 29 (1962)
(Fonte: Críticas Texianas)
BALÃO DE FALA, PALAVRAS OU BALÃO

É a figura oval – mas que também pode ser quadrada ou retangular- que traz em si o que cada personagem fala.

RABICHO OU SETA
O rabicho ou seta é uma proeminência que salta do balão e orienta o leitor para que ele saiba qual personagem está falando.











BALÃO DE SUSSURRO

O balão de sussurro pontilhado é mais comum
nas tiras. Arte de Lorenzo Kafer para a tirinha
Progresso, de 6 de janeiro de 2012.
(Fonte: Putztironas)

É um balão semelhante ao de fala normal, mas cuja linha se apresenta pontilhada, simbolizando que o personagem em questão fala baixo, sussurra. Nos quadrinhos modernos, é mais comum utilizar a técnica de diminuir o tamanho da tipografia.













BALÃO DE PENSAMENTO

Exemplo de balão de pensamento na edição
107 de Superman's Girlfriend Lois Lane (1971).
Arte de Ross Andru.
(Fonte: Comic Book Resources)

O balão de pensamento, como o próprio nome diz, expõe o que se passa pelas cabeças dos personagens. Para isso, substitui a seta por uma sequência de bolhas que se liga à cabeça de quem está pensando. Atualmente, os balões de pensamento estão praticamente extintos, com os escritores preferindo o uso dos recordatórios para dar um ar mais intimista junto aos leitores.













BALÃO DE EXPLOSÃO


Balão de explosão em tira de Os Sousa (1968-1989)
uma das poucas séries de viés adulto de Maurício de Sousa.
A série ganhou uma republicação em 2010 pela editora L&PM.

(Fonte: Blog dos Quadrinhos)

Elaborado para indicar volume/estresse ou uma transmissão de rádio ou de telefone, o balão de explosão – ou balão elétrico- tem uma constituição estilo “porco-espinho”. Assim como o balão de pensamento, tem caído em desuso, sendo substituído por onomatopeias estilizadas (no caso das explosões) ou por balões de fala com setas em forma de raio (no caso de transmissões eletrônicas).




LEGENDA OU RECORDATÓRIO

A minissérie Watchmen tem sua trama praticamente
toda conduzida pelos recordatórios. 

Em especial, os que
simulam o diário do personagem Rorschach.
Arte de Dave Gibbons para
Watchmen nº 1 (1986)
(Fonte: Quadrinhos de Super-Heróis)
Encontradas em qualquer lugar da tomada (enquadramento), a legenda ou recordatório são frases ou fragmentos de frases, abrigadas por retângulos, que tem múltiplos usos. Podem indicar um lugar, uma mudança de tempo no decorrer da trama ou, como é utilizada em larga escala atualmente, um meio para os comentários/pensamentos dos personagens à disposição do leitor. Na Língua Portuguesa, o termo recordatório é mais comum porque era usado em publicações antigas para recapitular eventos anteriores à história a ser lida.














ONOMATOPEIA
O poderoso soco do Superman da Terra 2 salta das páginas 
e aniquila o vilão Antimonitor em cena de Crise Nas Infinitas Terras nº 12 (1986).
Arte de George Pérez.
(Fonte: Antimonitor HQs) 

Um dos elementos mais distintos das histórias em quadrinhos, essa figura de linguagem tem papel fundamental na compreensão de sons e emoções nas histórias, aparecendo nos quadros na forma de palavras que simulam esses efeitos em letras garrafais. Praticamente há centenas delas e frequentemente variam de um país para outro. 





QUADRO DE PÁGINA INTEIRA


Página da graphic novel
Silver Surfer: Judgement Day (1988).
Publicada no Brasil em
Graphic Marvel nº 9,
obra é toda feita em quadros de página inteira.
Arte de John Buscema.

(Fonte: Marvel 1980s)


Evidentemente, é um enquadramento cujos elementos ocupam a página inteira. Geralmente, são elaborados com o intuito de enfocar cenas de grande impacto, por isso tanto podem ser usados no interior da revista, graphic novel ou álbum como também tem a faculdade de serem usados como capas. Hoje em dia, já existem quadros de páginas duplas e até quádruplas.









HISTÓRIA
A história é justamente uma narrativa que é apresentada de forma integral, com início, meio e fim.



ARCO DE HISTÓRIA
Arcos de história, termo oriundo das séries de TV, são mais comuns em séries regulares (quinzenais ou mensais). Refere-se a uma trama que se desenvolve em sucessivas histórias até chegar à sua definitiva conclusão. Frequentemente, após o fim de sua publicação, todas as edições são compiladas num único volume, o encadernado. 



FLASHBACK

A coloração diferente dos quadros denuncia: Batman está vivendo
mais uma vez a trágica morte de seus pais.
Arte de Jim Lee para
Justice League nº 11 (2012).
(Fonte: Tessatechaitea)

Recurso extraído da Literatura, o flashback é a apresentação de fatos que ocorreram antes da ação principal da história. Segundo o veterano editor e escritor Denny O’Neil, autor do Guia Oficial DC Comics-Roteiros, o uso repetido do flashback deve ser evitado e orienta que esse recurso deve ser usado “apenas quando a lógica da história exige – quando um personagem precisa de lembrar de algo que tem uma ligação direta no que está acontecendo com ele, por exemplo”. O escritor também esclarece que evidenciar ao leitor que o que se mostra é um flashback, algo do passado, ainda que com uma mera flexão de verbo, é importantíssimo. Outras formas de se explicitar os flashbacks são o arredondamento das arestas dos quadros ou uma colorização diferenciada dos mesmos. Mais raro que o flashback, o flashforward, seu inverso, também segue as mesmas regras estilísticas. 





As linhas de ação enchem de vida
a capa da histórica 

The Avengers nº 4 (1964).
Arte de Jack Kirby.

(Fonte: JHU Press Blog)




LINHAS DE AÇÃO


São linhas elaboradas pelo desenhista para demonstrar movimento e impedir que nos quadros hajam apenas figuras estáticas.












LINHAS RADIAIS
Linhas que indicam objetos quentes, radiativos ou que emitem algum tipo de energia.




MULTIMAGEM

O homem mais rápido do mundo
é o rei das multimagens, que fazem parte 
de suas HQs desde sua criação em 1940.
Arte de Francis Manapul para
The Flash: Secret Files and Origins nº 1 (2010).
(Fonte: Entertainment Fuse)




Várias imagens que mostram uma sequência de ações de um determinado personagem, sendo a última delas nítida e/ou colorida, enquanto as outras mostram onde ele estava segundos antes.
















TIPOGRAFIA
As letras nos balões também servem como meios de indicar diferentes ações ou emoções. A mudança de fonte, estilo e/ou tamanho delas pode indicar um falar baixo ou alto, pensamentos “altos” ou mais íntimos, graus variados de ênfase ou até mesmo se transformar num objeto da própria história, como a escrita cursiva de uma carta ou a codificada de uma tela de equipamento eletrônico. 

Fonte:



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Escudo: O Destruidor de Tiranos!

O Escudo e seus principais coadjuvantes:
atrás, o garoto Bob e nos círculos,
Betty Warren, Mamie Mazda e
seu namorado JuJu Watson

(Fonte: DC Wikia)

Por Valdemar Morais




Nome Original: The Shield.
Criadores: Harry Shorten e Irv Novick.
Alter-egos: Joe Higgins.
Amigos: Betty Warren, JuJu Watson e Bob.
Inimigos: Dr. Wang, Abutre, Estrangulador, o Huno.
Afiliações: Os Poderosos Cruzados.
Primeira Aparição: Pep Comics nº 1(1940)- MLJ/Archie Comics.











Primeiro de uma leva de heróis patrióticos que pipocaram nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, o Escudo é o químico Joe Higgins, filho do tenente do exército Tom Higgins. O pai de Joe também era um cientista e trabalhava num composto que era capaz de transformar uma pessoa comum num super-homem, com reflexos, força e sentidos aguçados. No entanto, o pesquisador acaba morto num plano de sabotagem do espião alemão Hans Fritz, durante a explosão de Black Tom, em 1916. A culpa sobre a tragédia também recai sobre o Dr. Higgins.

Após a morte do pai, Joe continuou sua obra e descobriu que o sucesso da fórmula se baseava na aplicação dela em determinadas partes da anatomia: sacro, coração, sistema nervoso, olhos, pulmões e pele (ou no original, Sacrum, Heart, Innervation, Eyes, Lungs e Derma), além de doses de raios X. Ele testa o processo em si mesmo e se vê capaz de dar grandes saltos, além de uma força e agilidade acima da média. Decidido a limpar o nome do pai e combater os inimigos dos Estados Unidos, Joe se torna um agente do FBI sob as ordens diretas de J. Edgar Hoover e confecciona um traje invulnerável, baseado nas cores da bandeira estadunidense. Inspirado nas iniciais das partes de seu corpo que receberam o composto químico, Joe Higgins se torna o super-herói chamado The Shield, o Escudo.

O Escudo combatia diversas ameaças ao poderio estadunidense, que eram frequentemente representadas por vilões ligados ao Eixo (Alemanha e Japão, em especial), como o Dr. Wang, o ardiloso Abutre, cujas orelhas pontudas e a face esverdeada jamais se soube se eram parte de uma máscara ou de sua aparência real e o agente nazista Huno, dono de um traje especial que melhorou seu corpo e mente, tornando-o um adversário muito resistente. 


Nas suas missões, a princípio, Joe Higgins contou com o apoio de sua namorada, Betty Warren e posteriormente ganhou como parceiro o obstinado JuJu Watson. Porém, seu mais célebre companheiro de aventuras seria o garoto Bob (Dusty, no original), cuja vida salvou de um desastre aéreo e adotou como filho. De seus parceiros de aventura, o menino era o único que sabia que o Escudo e Joe Higgins eram a mesma pessoa.

O Escudo à frente dos Poderosos
Cruzados.  Capa de The Mighty Crusaders
nº 4 (1966). Arte de Paul Reinman.
(Fonte: DC Wikia)


O Escudo viveu diversas aventuras, inclusive ao lado de outros heróis como Capuz Negro, Cometa, o Mosca e a Garota-Mosca, integrantes dos Poderosos Cruzados. O interesse pelo Escudo durou até que ele fosse suplantado pelo personagem Archie Andrews, que virou a sensação da editora MLJ. Tanto que esta chegou a mudar seu nome para Archie Comics. Ocasionalmente outras versões do Escudo surgiram durante os anos 1960, durante o revival dos super-heróis gerado pela Marvel Comics e, mais recentemente, em 2010, numa série limitada e licenciada da DC Comics. 










Fonte:

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Coringa: O Príncipe Palhaço do Crime!


Por Valdemar Morais

O Coringa em arte de Brian Bolland que faz
referência à famosa HQ
Os Peixes Risonhos

(Fonte: Joker Universe)





Nome Original: Joker.
Criadores: Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson. 
Alter-egos: Desconhecido.
“Amigos”: Arlequina, Alegretes.
Inimigos: Batman, Comissário Gordon, Robin, Asa Noturna, Batgirl, Caçadora, Superman.
Afiliações: Gangue da Injustiça, Sociedade Secreta dos Supervilões.
Primeira Aparição: Batman nº 1 (1940)- DC Comics. 















Assalto, extorsão, vandalismo, sequestro, homicídio, tortura, assassinato em massa. As especialidades do psicopata conhecido como Coringa são as mais variadas e perturbadoras. Temido inclusive por outros criminosos, o Coringa conquistou o posto de maior adversário de Batman, especialmente pelo seu sadismo, senso de humor doentio e um instinto violento imprevisível. 

A história de seu passado é tão intransponível quanto a lógica de sua insanidade. Uma de suas possíveis origens – e a mais famosa- é narrada na graphic novel Batman: A Piada Mortal (1988), de Alan Moore e Brian Bolland. Segundo Moore, antes do Coringa, havia um simples operário de uma indústria química em Gotham City, que sonhava em alcançar a fama como comediante. Ao se demitir para tentar realizar essa aspiração, ele bateu de frente com a dura rejeição das plateias. 

Casado e com a esposa grávida, o operário aceitou a proposta de tomar parte num assalto à fábrica de baralhos Monarca. Esta ficava ao lado da indústria química onde ele outrora trabalhava e sua missão era abrir o acesso de seus comparsas através das dependências de seu antigo emprego. Porém, antes que o plano se concretizasse, uma tragédia: sua esposa morre num acidente doméstico. Coagido por seus companheiros, o operário seguiu em frente com o plano e, para manter sua identidade a salvo, se mascarou com um capacete espelhado de cor rubra e assumiu o codinome de Capuz Vermelho. 


O fracasso na comédia e a vinda de uma criança
arremessam o futuro Coringa num caminho fatal. 

Arte de Brian Bolland 
em A Piada Mortal.
(Fonte: Gotham Alleys)
No assalto, tudo dá errado. Os bandidos são surpreendidos por Batman e pelos guardas da fábrica. Enquanto seus cúmplices são mortos pelos seguranças, o operário, ao ser perseguido pelo Homem-Morcego, se apavora e na sanha de escapar, se joga num rio próximo à indústria – e lotado de resíduos químicos. O efeito do mergulho é chocante: seu cabelo se torna verde, a pele totalmente branca e os lábios vermelho-sangue. Diante da aparência horrenda e do colapso nervoso vivido, o operário enlouquece, perde inteiramente sua memória e assume a alcunha de Coringa pela semelhança com o elemento do baralho. 

Na sua primeira ação criminosa, o Coringa tentou envenenar o reservatório de água de Gotham. No entanto, o criminoso foi habilmente detido por Batman e isso bastou para que uma relação feroz e quase obsessiva de ódio para com o vigilante surgisse. Em seus planos absurdos e genocidas, o Coringa lança mão de diversas armas, desde os revólveres de mentira – com a famosa bandeirinha de BANG!- até bazucas. No entanto, suas marcas registradas são o anel com um botão que dispara uma letal descarga elétrica contra o desavisado que se deixa apertar sua mão e o gás do riso, um composto químico que literalmente mata de tanto rir quem o respira. 

Além de capangas quaisquer, o Coringa não se dá ao luxo de ter amigos - logo porque seu instinto assassino pode dar cabo dos coitados quando menos se espera-, mas tem como parceira recorrente a tresloucada Arlequina, identidade assumida pela ex-psiquiatra Harleen Quinzel, que se apaixonou perdidamente pelo vilão e enlouqueceu por ele. Mesmo com as recorrentes tentativas do Coringa de matá-la quando faz algo errado, Arlequina jamais deixa de amar seu "pudinzinho". Vinculados também ao palhaço existem os Alegretes, uma gangue de arruaceiros inspirados no visual e no estilo criminoso do psicopata.


O impulsivo Jason Todd caiu numa armadilha do Coringa
e selou seu destino na saga
Morte Em Família.
Arte de Jim Aparo.
 

(Fonte: Comic Book Resources)
Dentre suas maiores atrocidades em sua doentia carreira, o Coringa foi autor de pelo menos duas tragédias que afetaram Batman em cheio: o aleijamento com um tiro e o suposto estupro de Bárbara Gordon, filha do Comissário Gordon e a primeira Batgirl, e o assassinato de Jason Todd, o segundo Robin. Mesmo depois de todas essas monstruosidades e de muitas chances de selar de vez o destino do Coringa, Batman não quebra seu juramento de jamais tirar uma vida e prossegue sempre anulando os planos do palhaço do crime e o recapturando, todas as vezes que ele escapa do Asilo Arkham, o manicômio judiciário de Gotham.





Fonte:
  • Coringa em Batman- A Trajetória
  • Graphic Novel nº 5 (1988)- Batman: A Piada Mortal
  • A Morte de Robin nº 1 a 3 (2002), Abril Jovem.
  • Batman: O Homem Que Ri (2005), Panini Comics.
  • A Origem do Coringa em DC + Aventura nº 1 (2007), Panini Comics.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Scan: Independência ou Morte para o mercado dos quadrinhos?

Por Valdemar Morais



O processo é simples: primeiro, faz-se o download do programa correspondente (cbr ou cbz). Em seguida, se acha um site que disponibiliza os arquivos. Por fim, com um clique e, dependendo da qualidade da internet, em alguns segundos se tem a HQ desejada para leitura no computador, seja uma edição lançada no mês passado nos Estados Unidos, seja uma edição esgotadíssima e rara como os volumes de Os Companheiros do Crepúsculo, de François Bourgeon.



Com os scans, edições clássicas e raras estão à distância de dois cliques
(Fonte: Print Screen DC Marvel)

Disseminados pela vontade de fãs, que traduzem edições estrangeiras digitalizadas e/ou escaneiam suas próprias revistas e postam na internet, os scans surgiram em meados dos anos 2000 e já naquela época causavam discussões acaloradas entre todos os elementos da indústria das HQs: criadores, editoras, críticos e leitores.

A genial fase de Grant Morrison
à frente da Patrulha do Destino 
(1989-1993)
ignorada pelas editoras nacionais, só
é conhecida no Brasil pelos scans.
(Fonte: El Desván de Cthulhu)
É fácil entender a razão: por um lado, os scans tem suas vantagens, quando proporcionam ao leitor um meio de adquirir gratuitamente sua HQ, de escolher ler somente a história que lhe interessa (poupando-lhe dos famigerados mixes), de poder lê-la com uma defasagem bem curta em relação à publicação original, de ter acesso a materiais interessantes, mas ignorados pelas editoras nacionais, e até mesmo um espaço bem mais compacto na coleção do que se fossem HQs impressas.

Por outro lado, o acesso gratuito e clandestino – pois não há qualquer pagamento para licenciantes- afeta diretamente o mercado, afinal, é das vendas das publicações que autores e editores sustentam suas famílias. Até mesmo o mercado de revistas usadas, os famosos sebos, sofre com essa prática, pois perde renda quando edições antigas também são disponibilizadas na internet. No fim, a própria indústria das HQs pode entrar em colapso.


Sidney Gusman, editor do site Universo HQ, é veementemente contra os scans, que chega a classificar como pirataria. “E os webmasters e colaboradores dessas páginas sabem disso. Tanto que adotam pseudônimos, no lugar de seus nomes reais”, afirma Gusman. O jornalista, no entanto, não culpa apenas os fundadores desses sites pela proliferação dos scans: as editoras também tem parte nisso.

“Os scans de quadrinhos na internet são algo irreversível. Só tendem a crescer. Até porque, no Brasil, [...] as editoras e empresas licenciantes nunca moveram uma palha para coibi-los. Falaram em tentar impedir judicialmente que suas HQs fossem expostas nesses sites, mas nunca saíram do discurso”, assinala Gusman em seu artigo HQs na rede: divulgação ou pirataria? 


Sidney Gusman e suas raras Os Companheiros do Crepúsculo:
pra ele, nada substitui a HQ impressa.

(Fonte: Anima Academia de Arte)
Já Manoel de Souza, editor da revista Mundo dos Super-Heróis, não tem tanta certeza de que scans são pirataria, mas concorda que a prática, cometida de forma indiscriminada, é lesiva. “Ler scans e deixar de comprar a obra original na banca ou livraria é sacanagem, pois o trabalho de editores sérios deve ser recompensado”, afirma Manoel.







Assim como Sidney Gusman, ele vê como algo positivo a possibilidade de os scans divulgarem edições raras, mas ressalta que isso deve ser um chamariz à procurar por essas publicações impressas. Para ele, é preferível a pilha de gibis empoeirados do que a tela do computador. “A mudança de páginas é meio chata, o impacto das páginas duplas se perde, não há a agradável textura do papel e o calor do notebook no colo me enche o saco”, sentenciou Souza em seu texto Problemas Modernos, publicado na edição 14 da Mundo.

Capa de All-New X-Men nº 5, que saiu nesse janeiro nos EUA. Por scan, os brasileiros
podem ler a edição traduzida em um mês. Pela Panini, editora licenciada, em pelo menos seis meses.

(Fonte:  Comics Nexus)



Sob outro ponto de vista, o jornalista e advogado Jorge André Paulino Silva, 24 anos, se declara à favor do consumo de scans. “Em que pese a alegada desvalorização dos artistas envolvidos com o processo, acredito que é uma forma de socializar os conteúdos das revistas. E o fã de verdade compra do mesmo jeito”, analisa Jorge, que lê quadrinhos desde os oito anos de idade.

O designer gráfico Lucas Lins prefere o equilíbrio do meio termo: “As editoras devem lançar quadrinhos mais baratos em plataformas diferenciadas - como já é feito para tablets- e também o leitor deve valorizar essa barateamento e tratar de comprar em vez de piratear”.

Pelo visto, a questão ainda deve render muitos debates pelos próximos anos. E você, é contra ou favor? Deixe sua opinião nos comentários! 

Dr. Oculto: O Detetive Fantasma!

Dr. Oculto em pin-up assinada por
Eduardo Barreto
(Fonte: Super-Heróis  Em Geral)

Por Valdemar Morais




Nome Original: Dr. Occult.
Criadores: Jerry Siegel e Joe Shuster.
Alter-egos: Richard Occult.
Amigos: Rose Psychic/Rose Spiritus, Capitão Ellsworth, Zator, Os Sete, Vingador Fantasma.
Inimigos: Koth, Culto do Lobo, Senhor da Vida.
Afiliações: Os Sete, Comando Invencível, Sociedade da Justiça.
Primeira Aparição: New Fun Comics nº 6 (1935)- DC Comics.



Criada pela mesma dupla que conceberia o Superman três anos depois, a história do Dr. Oculto, o Detetive Fantasma, começa em 1899. Às vésperas do novo século, uma seita satânica planejou invocar o diabo em pleno meio-oeste estadunidense e para tanto, ofereceu em sacrifício dois bebês, um de cada sexo, sequestrados de pessoas comuns.

No entanto, durante o ritual, quem aparece aos satanistas é a entidade maligna Koth, que rejeita o sacrifício, pois preferia almas totalmente corrompidas. O demônio consome os membros da seita e os envia para seu próprio reino. Antes que a criatura assassine as crianças, Zator, um místico infiltrado no ritual, pega as crianças e viaja com elas até a Cidadela dos Sete, uma poderosa ordem de magos.

Depois de certa resistência, os Sete concordam em manter as crianças – que apresentam habilidades místicas naturalmente- na cidadela, sob os cuidados do próprio Zator. Batizados de Doc e Rose, os meninos crescem treinados em todas as grandes artes da magia e, na medida em que o tempo passa, emerge entre eles o amor. No entanto, os Sete proíbem qualquer concretização desse sentimento.

Atingindo a idade adulta, Doc ganha um amuleto – um disco com uma cruz de malta- e a alcunha de Doutor Oculto, enquanto Rose se torna Rose Psychic (também chamada Rose Spiritus). Eles são despejados da Cidadela dos Sete e enviados para combater os males sobrenaturais no mundo usando suas habilidades mágicas. A dupla vai parar nos Estados Unidos e em 1935 – depois de adquirir de fato o título de doutor em ciências-, Oculto assume a identidade de Richard Occult e abre uma agência de investigações sobrenaturais, com Rose como sua secretária e parceira.

No começo, os dois foram tratados com chacota, mas após solucionarem o caso de ataques massivos de um vampiro, passaram a ganhar credibilidade, inclusive da polícia, na pessoa do capitão Ellsworth, que se torna seu principal aliado. Após algum tempo, Koth retornou e para detê-lo, o Dr. Oculto reencontrou seu mestre Zator e os Sete. Somente com a união deles a entidade pode ser derrotada.

Depois de entrar para o Comando Invencível, uma das primeiras superequipes do mundo, o Dr. Oculto entrou numa missão com a Sociedade da Justiça, no combate a uma entidade de outra dimensão conhecida como Stalker. Durante o confronto, Oculto teve sua alma devorada e, para que o detetive sobrenatural não perecesse de vez, Rose realizou um encanto no qual fundia sua alma à do herói. Oculto sobreviveu, mas em função do feitiço, nem ele nem Rose podem ficar no plano físico ao mesmo tempo. Portanto, se revezam nas aparições o que, tragicamente, mantém a proibição dos Sete: embora se amem muito, Oculto e Rose jamais tornarão a se encontrar.
O jovem Tim Hunter descobre a trágica
condição do Dr. Oculto e sua amada Rose na minissérie
Os Livros da Magia.
(Fonte: Comics Reporter)

Mesmo que tenham nascido há mais de 100 anos, o Dr. Oculto/Rose não envelhecem em ritmo normal graças às suas habilidades místicas. Atualmente, o Dr. Oculto permanece como membro reserva da Sociedade da Justiça e um dos maiores expoentes do universo místico da editora DC Comics.

Fonte:
  • Doctor Occult em DCU Guide
  • Doctor Occult em Comicvine
  • Detetive Sobrenatural em Mundo dos Super-Heróis nº 16

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Spektro nº 20


Por Valdemar Morais



(Fonte: Universo HQ)



Hoje, 30 de janeiro, é o Dia do Quadrinho Nacional e, para comemorar a data, Quadrinhos Clássicos apresenta um pouco da história e da importância de um dos títulos mais singulares das HQs no Brasil: a revista Spektro. A publicação, lançada pela editora Vecchi em 1977, foi resultado de um tiro no escuro dado pelo empresário Lotário Vecchi e o editor Otacílio D’Assunção Barros, o Ota, que buscavam aferir o gosto do público brasileiro com o objetivo de estabilizar a Vecchi no mercado. Depois do êxito da revista Eureka, com histórias de terror, a editora decidiu investir nesse gênero.







Ota tinha interesse desde o começo de fomentar a publicação com talentos nacionais, mas Vecchi não só preferia o licenciamento de produções estrangeiras – bem mais barato do que os salários de artistas locais- como também não tinha convicção no talento de roteiristas e desenhistas brasileiros. Assim, uma das primeiras séries negociadas no licenciamento foram as aventuras do Dr. Spektro, da editora estadunidense Gold Key. O personagem acabou dando nome à revista brasileira. Em seguida vieram outras HQs de terror, inclusive com tramas ilustradas por artistas famosos no gênero super-herói como Steve Ditko (cocriador do Homem-Aranha), John Byrne (X-Men, Superman) e Mike Zeck (Capitão América).

A Dr. Spektro estreou em preto e branco, editada em brochura, com surpreendentes 164 páginas e foi um sucesso. O público exigiu mais. E, na medida em que o material estrangeiro foi se acabando – especialmente havia poucas HQs do Dr. Spektro-, Ota passou a inserir o trabalho de artistas brasileiros, na busca de convencer Vecchi. O início dessa “invasão brasileira” começou com o retorno dos veteranos Flávio Colin e Júlio Shimamoto e a chegada dos talentos Watson Portela e Elmano “Mano” Silva, sendo estes dois grandes chamarizes da publicação. Luscar (ex-Pasquim), o prolífico Júlio Emílio Braz e o próprio Ota passaram a colaborar com os roteiros (este último sob pseudônimos como Juska Galvão, Osvaldo Pestana e Said Cimas). 

Com o passar das edições, as HQs produzidas pelos brasileiros, que evitavam os clichês dos Estados Unidos e da Europa, substituindo vampiros, lobisomens e castelos romenos por mulas-sem-cabeça, exus e o sertão nordestino assolado pela seca, eram as que mais atraíam o público. Nascia uma era de grande identificação entre os quadrinistas e leitores do Brasil. Esta Spektro nº 20 (o “Dr.” se perdeu do título com o tempo) marca a primeira edição inteiramente brasileira. Nela, os quadrinistas, já reconhecidos e bem à vontade, deram vazão a vários personagens e séries que ficariam marcados na memória de muita gente. 

A história Cilada Para a Besta-Fera traz o Trio Diabólico de Elmano Silva, com os personagens Sinhá Preta (baseada numa figura da infância do autor), o monstruoso Besta-Fera e o menino que se transformará em futuras edições no caçador de demônios Homem do Patuá, numa trama sobre uma sangrenta vingança contra um coronel e seus cruéis jagunços no sertão do nordeste. Já Jesuíno Boamorte, de Júlio Emílio Braz e Zenival Ferraz, também traz o tema da vingança, mas ambientado no Pernambuco de 1642, dominado pelos holandeses. 
Jesuíno Boamorte contava a história de um português que voltava do além para se vingar dos algozes holandeses
(Fonte: Doom Scans)

Outra célebre HQ que estreou nesse número foi a série Hotel Nicanor, gerada no estilo terrir (terror com doses de humor) por Juska Galvão (Ota) e Flávio Colin. Em Os Estranhos Hóspedes do Hotel Nicanor, o público conheceu os perturbados e asquerosos visitantes do hotel, cujas estadias terminam em muita sanguinolência. Outro gigante como Colin, Júlio Shimamoto, ainda assinava uma HQ metalinguística em A História Que Shimamoto nunca se atreveu a contar!

Depois de promover esses nomes como ídolos da HQ nacional, a Spektro ainda traria à tona uma série de outros criadores como Cesar Lobo, Ofeliano de Almeida e Otto Dumovich, sempre com vendagens muito satisfatórias. Por volta de 1982, no entanto, a Vecchi se viu endividada após dados investimentos e com o atraso dos salários, começou a perder a equipe para a concorrência. Nem mesmo Ota escapou das demissões na época de crise e a estrutura que sustentava a Spektro foi desmontada. 

Após algum tempo, o equilíbrio das finanças da editora retornou, mas aqueles anos de inflação galopante no Brasil puseram fim à trajetória da Vecchi e da própria Spektro. A revista ainda voltaria em edições esparsas nos anos 1990, mas sem repetir o sucesso. A Spektro, celeiro de grandes quadrinistas e símbolo do grande consumo do quadrinho nacional pelos brasileiros, foi um sucesso indiscutível por 28 números. 

Infelizmente, as edições originais encontram-se ou esgotadas ou vendidas em sebos por preços exorbitantes. Seria não só uma maravilha ter essas geniais criações disponíveis em republicações como também seria um grande serviço à memória do quadrinho brasileiro. Fica a dica às editoras.



SPEKTRO Nº 20
Histórias: Cilada para Besta-Fera, Pacto Diabólico, O Olho do Gato, A História Que Shimamoto nunca se atreveu a contar!, A Arena da Perdição, Os Estranhos Hóspedes do Hotel Nicanor, A Noite do Lobisomem e outras. 
Ano de Lançamento: 1981. 
Editora: Vecchi. 
Roteiro: Elmano “Mano” Silva, Cláudio Almeida, E.C. Cunha, Júlio Emílio Braz, Ubirajara Leal, Juska Galvão, E.C. Nickel e outros. 
Arte: Elmano “Mano” Silva, Orestes de Oliveira Filho, Antonino Balieiro, Zenival Ferraz, Júlio Shimamoto, Flávio Colin, Watson Portela e outros. 
Personagens: Sinhá Preta, Besta-Fera- O Filho de Satã, Espectro, Coriolano- O Cangaceiro, Trovoada, Jesuíno Boamorte e outros. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Batman: O Cavaleiro das Trevas!


Por Valdemar Morais


Batman em arte famosa de Neal Adams,
seu mais célebre ilustrador.
(Fonte: Manga Sanctuary)

Nome Original: Batman.
Criadores: Bob Kane e Bill Finger (não-creditado).
Alter-egos: Bruce Wayne, Fósforos Malone.
Amigos: Alfred, Comissário Gordon, Robin, Asa Noturna, Batgirl, Batwing, Batwoman, Caçadora, Superman.
Inimigos: Coringa, Pinguim, Mulher-Gato, Duas-Caras, Charada, Sr. Frio, Bane, Espantalho, Ra’s Al Ghul.
Afiliações: Liga da Justiça, Renegados, Batsquad (Família Morcego). 
Primeira Aparição: Detective Comics nº 27 (1939)- DC Comics











O médico e empresário Thomas Wayne, ao lado de sua esposa, a assistente social Martha, eram muito além de mais dois ricaços que gastavam milhões em caridade. Eles eram legítimos cidadãos, que lutavam para tornar cada vez melhores os dias da sombria cidade de Gotham. A solidariedade, a busca pela justiça e pelo bem-estar das pessoas foram lições preciosas que eles fizeram questão de passar não só aos gothamitas, mas especialmente ao filho deles, Bruce.

A vida tranquila e feliz dos Wayne mudaria para sempre numa noite de cinema, na saída de uma empolgante exibição de A Marca do Zorro. Ao pegarem um atalho por um beco, Thomas, Martha e Bruce foram abordados por um assaltante. Thomas reagiu e foi baleado. Assustado pelo grito de Martha, o bandido também a silenciou com um tiro, deixando para trás o pequeno Bruce que, traumatizado, jamais seria criança novamente.

Acolhido pelo fiel mordomo Alfred Pennyworth e pela Dra. Leslie Thompkins, Bruce decidiu que ninguém merecia passar pela dor que ele passava. Naquela noite fatídica, ele jurou combater o crime e a injustiça para o resto de sua vida. Para isso, viajou o mundo, usando de sua vultosa fortuna para se aperfeiçoar nas maiores técnicas de combate, tecnologia e investigação, preparando o corpo e a mente. Aos 25 anos, Bruce retornou para Gotham, decidido a cumprir sua promessa. No entanto, percebeu que antes de confrontar os criminosos, primeiro era preciso intimidá-los. 


Cena de Batman: Ano Um, que narra a origem do herói:
quando Bruce Wayne encontra o Morcego, nasce o Batman. 
Arte de David Mazzucchelli.(Fonte: Adherents)


Inspirado nos morcegos que infestavam sua mansão e que o aterrorizavam quando garoto, Bruce confeccionou para si – com a ajuda devotada de Alfred- um traje especial com capa e capuz, que o transformava num morcego humano. A partir de então passou a combater os crimes nas ruas de Gotham City sob a alcunha de Batman, o Cavaleiro das Trevas


Batman e Robin em pintura de Alex Ross inspirada
em arte original de Bob Kane.

(Fonte: Cinema e Vídeo)

Em sua cruzada pela Justiça, Batman nem sempre foi bem-visto pelas instituições públicas, em especial a Polícia, mas sempre contou com o apoio de James Gordon, um tira honesto numa cidade corrupta, que graças à sua aliança com o vigilante, foi alçado de tenente a comissário de polícia. Algum tempo depois, Bruce Wayne se compadeceu do jovem trapezista Dick Grayson, que assim como ele, testemunhou a morte dos pais, igualmente assassinados. Quando o esperto garoto descobriu seu alter-ego, passou a combater o crime ao seu lado sob a identidade de Robin





Embora prefira manter-se nas sombras da maioria das vezes e seja avesso a intimidades, Batman acabou atuando junto com outros heróis. Membro do primeiro escalão da Liga da Justiça, várias vezes foi a astúcia e a inteligência do Cavaleiro das Trevas que conseguiram coordenar os poderes de Superman, Mulher-Maravilha, Flash e companhia nas vitórias contra diversas ameaças. Em dado momento, no entanto, a equipe se recusou a invadir um país dominado por um golpe político e onde corria perigo Lucius Fox, executivo das Indústrias Wayne. Para salvar o amigo, Batman rompeu com a Liga, reuniu um grupo de heróis menores como Metamorfo, Katana, Geoforça, Raio Negro e Halo e fundou os Renegados. Ele atuou como líder da equipe por algum tempo após o sucesso dessa aventura. Durante o período em que a cidade de Gotham foi reduzida a ruínas por um terremoto, a associação de Batman, Robin (Tim Drake), Asa Noturna (o ex-Robin Dick Grayson), Batgirl (Cassandra Cain), Azrael e Caçadora forjou o grupo Batsquad (ou Família Morcego, como é chamada atualmente), gerado para agir em graves crises contra a cidade. 

Concentrado em suas missões, Bruce Wayne nunca se preocupou em ter uma vida pessoal, definindo sua imagem pública como a de um herdeiro inconsequente e bon-vivant apenas como um disfarce. Porém, depois de uma improvável aliança com seu inimigo Ra’s Al Ghul, o herói se rendeu aos encantos de Tália, filha do vilão e uma eterna apaixonada por Batman. Da união dos dois nasceu Damian, criado escondido do pai até os dez anos e dono de um temperamento sanguinário e audacioso que Batman tenta a todo custo demover. Atualmente, Damian luta ao seu lado usando o manto de Robin.


Batman e seu filho,
o violento e imprevisível Damian.
Arte de Andy Kubert em

Batman nº 656 (2006).
(Fonte: Comicvine

Tecnicamente, Batman não poderia ser considerado um super-herói, pois não possui superpoderes. Contudo, mais de uma dezena de vezes suas habilidades acima da média se revelaram decisivas em vitórias contra vários adversários poderosos. Além do intelecto genial, do físico atlético, a perícia no combate corpo-a-corpo e a mestria em fugas e disfarces – sendo o do bandido Fósforos Malone o mais utilizado-, Batman conta com uma série de equipamentos que incluem veículos (como o Batmóvel e Batplano), recursos logísticos como um supercomputador (com mapas, planos e fichas de criminosos do mundo inteiro) e um completo laboratório de criminalística e dispositivos como batarangues (bumerangues em forma de morcego), cordas, cabos, cápsulas de gás e até kryptonita, tudo alocado no seu famoso cinto de utilidades.  






Fonte:

  • Batman em Batman- A Trajetória.
  • Dossiê Batman em Revista Mundo dos Super-Heróis nº 3, Editora Europa (2006).